Há dois anos, estive em Londres visitando um irmão e percebi que, além dos tradicionais containers para depósito de lixo doméstico reciclável, presentes nas ruas de várias cidades européias, existem containers para depósito de roupas e sapatos. Chamou tanta atenção que tirei essa foto que acabou ficando perdida no meio das imagens turísticas do lugar:
Só hoje, “fuçando” na internet, descobri a história da LMB, responsável pelo destino dado aos objetos depositados ali, e resolvi escrever este post para finalmente resgatar minha fotinha.
Com o boom na indústria fashion dos anos 80 na Inglaterra, que passava por uma fase positiva economicamente, as pessoas passaram a jogar fora suas roupas, não por estarem velhas e desgastadas, mas simplesmente por estarem fora de moda.
Observando que a maioria das peças descartadas encontrava-se em ótimo estado, um dos sócios da LMB resolveu investir em um novo ramo de negócios que consistia, basicamente, em coletar roupas usadas, separar os tecidos, descosturar os pedaços e vendê-los.
Numa época em que os países africanos não possuíam condições para fabricar roupas de boa qualidade a preços acessíveis para a maioria da população, a empresa percebeu aí outro nicho de mercado, e começou a exportar as roupas de segunda mão.
E foi para facilitar essa coleta em grande escala, que criou os chamados “bancos de reciclagem” , os tais containers que vi espalhados pelas ruas londrinas.
A LMB tem hoje mais de 4 mil pontos de coleta espalhados pelo Reino Unido e recolhe de 170 a 200 toneladas de tecidos por semana. Desse total, 80% é reutilizado e exportado, 10% é transformado em retalhos, 5% vira feltro e apenas 5% acaba no lixo.
A julgar pela forte tendência apresentada na última Esthetica, salão de moda ética da London Fashion Week, o faturamento da LMB vai acrescentar alguns bons dígitos nos próximos anos, já que 90% das marcas do evento aderiram ao Upcycle, que nada mais é do que reaproveitar um material sem que ele passe por um processo de reciclagem.